Territórios, Gênero e Clima
caminhos para a justiça
Keywords:
Justiça climática, justiça de gênero, emergência climática, iniquidades socioambientais, direitos humanosAbstract
A crise climática configura-se como uma emergência global que afeta de maneira desigual diferentes populações, de modo a evidenciar assimetrias socioeconômicas, ambientais e de gênero. Embora todos os países estejam expostos a seus impactos, as consequências mais
intensas recaem sobre grupos vulnerabilizados – como povos indígenas, comunidades periféricas, mulheres e meninas – os quais, historicamente, contribuíram menos para a emissão de gases de efeito estufa. As perdas e danos envolvem dimensões econômicas, culturais e humanas, atingindo ecossistemas, territórios, modos de vida e laços comunitários. Na América Latina e no Brasil, eventos extremos como secas, enchentes, ondas de calor e inundações têm se tornado recorrentes, afetando a segurança hídrica, alimentar e habitacional, além de ampliar riscos à saúde pública. Nesse contexto, a justiça climática exige ações integradas que articulem mitigação, adaptação e proteção social, reconhecendo o papel central das mulheres na defesa dos territórios e na construção de respostas comunitárias resilientes. Contudo, políticas e acordos internacionais ainda apresentam baixa inclusão de perspectiva de gênero. Fortalecer a participação equitativa nos processos de decisão, investir em educação climática e promover uma sustentabilidade que caminhe com o bem-viver – como uma filosofia em construção que parte da cosmologia e dos modos de vida ameríndio de reciprocidade e complementaridade – são caminhos necessários para reconstruir relações equilibradas com a natureza e garantir condições de vida dignas para as presentes e futuras gerações.
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