Novos rótulos para velhos sabores
A poética de Rubem Alves e o discurso da religião vivida
DOI :
https://doi.org/10.22351/et.v65i2.4588Mots-clés :
Teologia do Cotidiano, Rubem Alves, Poiesis, Ocultamento do SagradoRésumé
Diante da virada empírica que deslocou o interesse analítico das estruturas eclesiásticas para o cotidiano dos sujeitos, este artigo confronta as categorias de teologia do cotidiano, cunhada por Rubem Alves, e de religião vivida (lived religion), consolidada pela sociologia anglo-saxônica. Defende-se a tese de que a abordagem da religião vivida, sob uma roupagem metodológica, opera um ocultamento da teologia do cotidiano que a antecedeu. Para tanto, o estudo recupera a compreensão da teologia grega como poiesis, o falar poético e inspirado sobre o divino, opondo-a ao dogmatismo institucionalizado no medievo. Ao traçar paralelas entre a teopoética alvesiana da saudade e as dimensões da fé mapeadas por Nancy Ammerman, e contextualizá-las no pragmatismo e no trânsito religioso do cenário brasileiro, conclui-se que a rejeição acadêmica do termo “teologia” invisibiliza a agência e a mística do chão da vida, reiterando a necessidade de uma hermenêutica viva comprometida com o sentido e a dignidade humana.
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