A hermenêutica dos símbolos e a simbólica do mal: mancha, pecado e culpabilidade, segundo Paul Ricoeur

Authors

  • Gerson Leite de Moraes Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie; Líder do grupo de pesquisa REMEMORA (Religião, Memória e Cultura). Doutor em Ciências da Religião (PUC-SP) e Doutor em Filosofia (IFCH/UNICAMP).

Keywords:

Mancha, Símbolo, Culpabilidade, Pecado, Hermenêutica, Paul Ricoeur

Abstract

A chamada hermenêutica dos símbolos de Paul Ricoeur pode ser encontrada nas obras La Symbolique du Mal (1960), De l’Interprétation: Essai sur Freud (1965) e Le Conflit des Interprétations (1969). As três obras marcam um avanço no pensamento ricoeuriano, pois abandona-se a preocupação abstrata da fenomenologia estrutural presente na obra do autor durante toda a década de 1950 do século passado. A partir deste momento o conceito de símbolo ganha uma dimensão significativa. Tal conceito é denso, rico e acima de tudo estimulante. Nas palavras de Paul Ricoeur, “o símbolo dá a pensar”. Pode-se afirmar com Ricoeur que há três dimensões – cósmica, onírica (psíquica) e poética – que se encontram presentes em todo símbolo autêntico; só em conexão com essas três funções do símbolo pode-se compreender o aspecto reflexivo dos símbolos, que envolvem os conceitos de mancha, desvio, extravio, desterro, peso de culpa etc. O propósito deste trabalho é apresentar a hermenêutica dos símbolos na obra de Paul Ricoeur e, na sequência, analisar os símbolos do mal a partir dos conceitos de mancha, pecado e culpabilidade, além de explorar as possibilidades de mitigação da presença do mal nas relações envolvendo os seres humanos e suas divindades. A riqueza cultural ocidental, construída ao longo de milênios e expressa nas vertentes grega e judaico-cristã, permite um cotejamento entre filosofia e teologia, respeitando as áreas de atuação das mesmas.

Published

2026-02-18