PROTESTANTISMO BRASILEIRO DE RITO LUTERANO:
CLASSIFICAÇÃO, PERIODIZAÇÃO E DESOBSTRUÇÃO ÉTNICA
DOI:
https://doi.org/10.22351/pr.v51i2.4535Palavras-chave:
protestantismo de imigração; luteranismo; etnicidade; IECLB; campo religioso brasileiro; desobstrução étnica.Resumo
O presente artigo analisa a trajetória histórica e sociológica do protestantismo brasileiro de rito luterano, desde a chegada dos imigrantes alemães ao Brasil, em 1824, até os processos de desobstrução étnica observados nas últimas décadas do século XX. Com base em tipologias consagradas da sociologia da religião, especialmente as formuladas por José Miguez Bonino, Cândido Procópio Ferreira de Camargo e Lauri Emilio Wirth, o artigo discute a classificação do luteranismo no interior do chamado “protestantismo étnico” ou “de imigração”, distinguindo-o do protestantismo de missão e do pentecostalismo. A análise é organizada em torno de uma periodização tripartite: (1) o período congregacional ou de autogestão das comunidades; (2) a institucionalização do protestantismo étnico, fortemente marcada pelo vínculo entre germanidade (Deutschtum) e confissão evangélica; e (3) a transição rumo a uma Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) de caráter nacional e missionário. Argumenta-se que fatores exógenos, como o expansionismo alemão tardio e duas guerras mundiais, e endógenos, como o êxodo rural, urbanização, declínio do crescimento natural, casamentos mistos e perda da língua alemã, produziram uma progressiva desobstrução étnica, reorientando a identidade institucional da IECLB. Sustenta-se, ademais, que tal transformação não foi linear nem isenta de tensões, mas resultou de uma articulação entre forças sociais de base e guinadas políticas e teológicas das lideranças eclesiásticas. O artigo contribui para os debates sobre religião e etnicidade, identidade religiosa e pluralismo no campo religioso brasileiro.








