Protestantismo em Revista https://revistas.est.edu.br/PR <p><strong>Protestantismo em Revista</strong> é uma publicação semestral eletrônica de acesso livre do Programa de Pós-Graduação em Teologia da Escola Superior de Teologia (Faculdades EST). Publica textos inéditos e revistos em inglês, português, espanhol e alemão de docentes e discentes vinculados a um programa de pós-graduação, na área da teologia ou da ciência da religião e, num espectro maior, das ciências humanas, das ciências sociais aplicadas e na área multidisciplinar, que possuam uma relação temática com o fenômeno religioso e suas várias expressões. </p> <p><strong>Qualis (2021-2024): A3</strong></p> <p><strong>ISSN 1678-6408</strong></p> Faculdades EST pt-BR Protestantismo em Revista 1678-6408 A SUBLIMAÇÃO DO SACRIFÍCIO EM ROMANOS 12.1-2: UMA ANÁLISE EXEGÉTICO-COMPARATIVA https://revistas.est.edu.br/PR/article/view/4172 <p>Este artigo analisa Romanos 12.1-2, examinando a noção paulina de ‘sacrifício vivo’ e ‘culto racional’ em diálogo com tradições judaicas, helenísticas e religiosas do Mediterrâneo Antigo. O estudo parte da constatação de que a perícope marca a transição da seção doutrinária para a parenética da Epístola, situando-se no eixo entre o indicativo (a ação salvífica de Deus) e o imperativo (a resposta ética do cristão). A entrega do corpo como sacrifício vivo é interpretada não apenas como culto litúrgico, mas como obediência contínua, vinculando corpo e mente em processo de renovação e santificação. A análise lexical mostra que Paulo utiliza o termo raro <em>οἰκτιρμοί</em> (misericórdias), em lugar de <em>ἔλεος</em> (‘misericórdia’), indicando não uma simples retomada da história de Israel, mas uma formulação independente, possivelmente de cunho retórico. O artigo também evidencia a polêmica em torno dos sacrifícios materiais, recorrente tanto no judaísmo tardio quanto no pensamento filosófico-religioso helenístico. Nesse contexto, Paulo reelabora criticamente a prática cultual, aproximando-se de tradições que privilegiavam o louvor, a ação de graças e a interioridade, como em Filo de Alexandria, nos Salmos, na literatura sapiencial e em textos herméticos (<em>Corpus Hermeticum</em>, <em>Asclepius</em>). Conclui-se que Romanos 12.1-2 não deve ser lido exclusivamente à luz de categorias cristológicas ou judaicas, mas como parte de um horizonte espiritual mais amplo. A proposta paulina de “culto racional” transcende o sacrifício material, configurando uma espiritualidade universal que enfatiza a obediência e a transformação interior como verdadeira adoração.</p> David Pessoa de Lira Copyright (c) 2026 Protestantismo em Revista 2026-07-03 2026-07-03 51 2 10.22351/pr.v51i2.4172 Revisitando a datação do livro de Daniel https://revistas.est.edu.br/PR/article/view/4250 <p>Este trabalho reexamina a datação dos Manuscritos do Mar Morto com base em novas análises que integram datação por radiocarbono e inteligência artificial. A partir da pesquisa de Popović <em>et al</em>. (2025), que aplicou o sistema de aprendizado de máquina <em>Enoch</em> à caligrafia dos pergaminhos, o trabalho avalia o impacto desses avanços sobre o entendimento tradicional estabelecido pela paleografia de Frank Cross. Os resultados indicam que manuscritos específicos, como o 4Q114 (Daniel 11), podem ser até 70 anos mais antigos do que as estimativas anteriores. Essa descoberta reabre o debate acerca da datação e do contexto histórico do livro de Daniel. A pesquisa analisa criticamente a confiabilidade da datação por carbono 14, as limitações inerentes à análise da paleográfica e a natural resistência acadêmica a resultados que questionam consensos consolidados. Conclui-se que a integração de métodos físicos, estatísticos e estilométricos representa um avanço metodológico significativo, com potencial para revisar cronologias estabelecidas e ampliar a compreensão sobre a formação e a transmissão dos textos bíblicos.</p> Rodrigo Pereira da Silva Copyright (c) 2026 Protestantismo em Revista 2026-07-03 2026-07-03 51 2 10.22351/pr.v51i2.4250 UMA TEOLOGIA QUE NÃO NASCEU SOZINHA https://revistas.est.edu.br/PR/article/view/4595 <p>A Teologia Latino-Americana da Libertação é frequentemente descrita como concreta e histórica em razão de seu método — a práxis como ato primeiro — e de seu contexto — a opressão estrutural dos povos latino-americanos. Este artigo propõe uma chave interpretativa complementar: a interdisciplinaridade como condição histórica e metodológica dessa concretude. A tese central é que a TLA surgiu em um ambiente intelectual marcado pelo diálogo entre teólogos, filósofos, economistas, sociólogos e educadores que buscavam compreender os efeitos do colonialismo e do imperialismo na vida dos povos latino-americanos. Por meio de análise histórico-intelectual de caráter reconstrutivo, o artigo demonstra que essa convergência estava presente desde os primórdios, foi sistematizada metodologicamente por meio do conceito de mediação socioanalítica e se aprofundou na geração seguinte com a crítica à idolatria do mercado. Embora a relação entre TLA e ciências sociais seja tema consolidado na literatura — especialmente a partir da obra de Clodovis Boff sobre as mediações teológicas —, ainda são poucos os estudos que examinam a interdisciplinaridade como característica presente desde a formação do movimento. Conclui-se que a relação da TLA com a realidade histórica está ligada ao próprio processo de formação do movimento, marcado pela atuação conjunta de diferentes áreas do conhecimento diante de problemas que ultrapassavam os limites de uma única disciplina.</p> Fabiano Pedroso Valério Guilherme Shaper Charles Klemz Copyright (c) 2026 Protestantismo em Revista 2026-05-28 2026-05-28 51 2 10.22351/pr.v51i2.4595 O Reino de Deus em Daniel 2 https://revistas.est.edu.br/PR/article/view/4216 <p>O Reino de Deus é uma das temáticas presentes tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento. Neste artigo, é apresentada uma exposição da natureza e do tempo do Reino de Deus conforme descrito no capítulo 2 do livro de Daniel. As interpretações acerca do tempo e da natureza do Reino serão apresentadas, seguidas da exposição e estudo do texto de Daniel 2. O estudo é abordado sob a perspectiva canônica, levando em consideração uma perspectiva tradicional, tomando como pressuposição o testemunho da narrativa bíblica sobre a atuação divina e o caráter preditivo indicado no texto de Daniel. Na aplicação dessa abordagem, evidencia-se o caráter literal e sobrenatural, indicado pelos textos do Antigo e Novo Testamento, no que tange ao estabelecimento do Reino de Deus. Esse Reino, portanto, revela a ação direta de um Deus que atua na história e conduz seu curso até sua consumação final, com a restauração total e completa da humanidade.&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p> Vanderson Rodrigues Flávio Schmitt Copyright (c) 2025 Protestantismo em Revista 2025-12-01 2025-12-01 51 2 1 17 10.22351/pr.v51i2.4216 A pedagogia adventista e o ministério docente frente à crise educacional contemporânea https://revistas.est.edu.br/PR/article/view/4552 <p style="margin: 0cm; text-align: justify;"><span style="font-size: 10.0pt;">Este artigo discute o papel do educador cristão diante dos desafios contemporâneos da educação, especialmente em contextos de crise familiar, fragilidade de valores e instabilidade emocional. À luz da Pedagogia Adventista e dos escritos de Ellen G. White, a pesquisa propõe uma abordagem que integra o desenvolvimento acadêmico, emocional, social e espiritual do aluno, centrando-se na formação do caráter. Defende-se que o professor, mais do que um transmissor de conteúdos, deve ser um referencial ético e espiritual, exercendo um ministério educacional baseado em princípios bíblicos. A metodologia adotada é a pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa. O objetivo deste artigo é analisar o ministério docente na formação integral do aluno à luz da Pedagogia Adventista, investigando como essa atuação pode oferecer respostas à crise educacional contemporânea, promovendo valores e fortalecendo os vínculos escola-família. Os resultados apontam que a educação cristã oferece algumas respostas aos dilemas da sociedade atual ao se voltar para suas bases fundamentais, apresentando um caminho de esperança, propósito e transformação. O professor cristão é visto como mediador do conhecimento e das relações sociais, e sua influência é essencial para o desenvolvimento de uma geração mais consciente, compassiva e preparada para os desafios da vida.</span></p> Neide Laura Fukner Kupas Rebeca Pizza Pancotte Darius Fábio Augusto Darius Copyright (c) 2026 Protestantismo em Revista 2026-07-03 2026-07-03 51 2 10.22351/pr.v51i2.4552 PROTESTANTISMO BRASILEIRO DE RITO LUTERANO: https://revistas.est.edu.br/PR/article/view/4535 <p>O presente artigo analisa a trajetória histórica e sociológica do protestantismo brasileiro de rito luterano, desde a chegada dos imigrantes alemães ao Brasil, em 1824, até os processos de desobstrução étnica observados nas últimas décadas do século XX. Com base em tipologias consagradas da sociologia da religião, especialmente as formuladas por José Miguez Bonino, Cândido Procópio Ferreira de Camargo e Lauri Emilio Wirth, o artigo discute a classificação do luteranismo no interior do chamado “protestantismo étnico” ou “de imigração”, distinguindo-o do protestantismo de missão e do pentecostalismo. A análise é organizada em torno de uma periodização tripartite: (1) o período congregacional ou de autogestão das comunidades; (2) a institucionalização do protestantismo étnico, fortemente marcada pelo vínculo entre germanidade (Deutschtum) e confissão evangélica; e (3) a transição rumo a uma Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) de caráter nacional e missionário. Argumenta-se que fatores exógenos, como o expansionismo alemão tardio e duas guerras mundiais, e endógenos, como o êxodo rural, urbanização, declínio do crescimento natural, casamentos mistos e perda da língua alemã, produziram uma progressiva desobstrução étnica, reorientando a identidade institucional da IECLB. Sustenta-se, ademais, que tal transformação não foi linear nem isenta de tensões, mas resultou de uma articulação entre forças sociais de base e guinadas políticas e teológicas das lideranças eclesiásticas. O artigo contribui para os debates sobre religião e etnicidade, identidade religiosa e pluralismo no campo religioso brasileiro.</p> Alessandro Bartz Copyright (c) 2026 Protestantismo em Revista 2026-05-25 2026-05-25 51 2 10.22351/pr.v51i2.4535 Relato de experiências de estágios supervisionados em ensino religioso https://revistas.est.edu.br/PR/article/view/4262 <p>O presente artigo relata as experiências de estágios supervisionados desenvolvidos na disciplina de Ensino Religioso em uma escola pública da Região Sudeste do Brasil, abrangendo observação, ministração de aulas e acompanhamento de inclusão escolar ao longo de quatro etapas. O objetivo é apresentar reflexões sobre a prática docente, a relevância do Ensino Religioso na formação cidadã e os desafios encontrados no ambiente escolar. No Estágio I (Observação no Fundamental I), constatou-se a importância da disciplina para a ética, apesar da desvalorização e da falta de formação específica docente. As práticas observadas envolveram diversidade religiosa, atividades lúdicas e interdisciplinares, evidenciando a necessidade de maior reflexão e formação continuada. No Estágio II (Ministração no Fundamental I), a regência em turmas do 3º e 4º ano abordou ritos, festas e o sagrado, utilizando leitura, debate e interpretação. Os desafios incluíram nervosismo inicial e dificuldades discentes, reforçando o papel do Ensino Religioso na construção de valores e respeito. O Estágio III (Ensino Religioso no Fundamental II) focou na ministração para turmas do 6º ao 9º ano, com temas como ética e diversidade, aplicando dinâmicas e debates. A dificuldade de participação e a necessidade de adaptação metodológica ressaltaram a importância de metodologias ativas. No Estágio IV (Ensino Religioso e Inclusão no Fundamental I), combinou-se a regência com o acompanhamento de alunos com deficiência, abordando espaços escolares e sagrados com diversas atividades. A experiência evidenciou avanços e limitações na inclusão, como a necessidade de maior capacitação de monitores e a relevância do AEE e da adaptação pedagógica. Espera-se que a pesquisa incentive profissionais do Ensino Religioso a desenvolverem uma postura ética, acolhedora e promotora do diálogo inter-religioso e intercultural, estimulando o respeito à diversidade de crenças e a formação crítica e sensível dos estudantes, construindo espaços educativos inclusivos e valorizando as diferentes manifestações religiosas e culturais.</p> Himkmar Flavio Rocha Charles Klemz Laude Erandi Brandenburg Copyright (c) 2026 Protestantismo em Revista 2026-05-25 2026-05-25 51 2 10.22351/pr.v51i2.4262