A SUBLIMAÇÃO DO SACRIFÍCIO EM ROMANOS 12.1-2: UMA ANÁLISE EXEGÉTICO-COMPARATIVA
DOI:
https://doi.org/10.22351/pr.v51i2.4172Palavras-chave:
Epístola aos Romanos 12.1-2, sacrifício vivo, culto racional, hermetismo, Apóstolo PauloResumo
Este artigo analisa Romanos 12.1-2, examinando a noção paulina de ‘sacrifício vivo’ e ‘culto racional’ em diálogo com tradições judaicas, helenísticas e religiosas do Mediterrâneo Antigo. O estudo parte da constatação de que a perícope marca a transição da seção doutrinária para a parenética da Epístola, situando-se no eixo entre o indicativo (a ação salvífica de Deus) e o imperativo (a resposta ética do cristão). A entrega do corpo como sacrifício vivo é interpretada não apenas como culto litúrgico, mas como obediência contínua, vinculando corpo e mente em processo de renovação e santificação. A análise lexical mostra que Paulo utiliza o termo raro οἰκτιρμοί (misericórdias), em lugar de ἔλεος (‘misericórdia’), indicando não uma simples retomada da história de Israel, mas uma formulação independente, possivelmente de cunho retórico. O artigo também evidencia a polêmica em torno dos sacrifícios materiais, recorrente tanto no judaísmo tardio quanto no pensamento filosófico-religioso helenístico. Nesse contexto, Paulo reelabora criticamente a prática cultual, aproximando-se de tradições que privilegiavam o louvor, a ação de graças e a interioridade, como em Filo de Alexandria, nos Salmos, na literatura sapiencial e em textos herméticos (Corpus Hermeticum, Asclepius). Conclui-se que Romanos 12.1-2 não deve ser lido exclusivamente à luz de categorias cristológicas ou judaicas, mas como parte de um horizonte espiritual mais amplo. A proposta paulina de “culto racional” transcende o sacrifício material, configurando uma espiritualidade universal que enfatiza a obediência e a transformação interior como verdadeira adoração.








