Angústia e coragem de desespero na literatura modernista de Fernando Pessoa
Mots-clés :
Paul Tillich, Religião, Literatura, Modernismo, Fernando PessoaRésumé
Em A Coragem de Ser (1952), Tillich define o conceito de coragem como o ato de autoafirmação do ser diante da ameaça do não-ser. Ele percebia também na arte existencialista do século XX expressões da angústia da insignificação, resultando no desespero enquanto tentativa de incorporar tal angústia à coragem de ser como si próprio. A consciência da finitude que alimenta a angústia leva ao desespero em face da inevitável vitória do não-ser materializada na morte. A discussão aqui se dirige ao questionamento da literatura modernista a partir da obra de Fernando Pessoa. Ao compreender o humano do século XX como alguém que perdeu o centro significante do mundo, Tillich nos permite analisar a arte considerando as implicações da virada filosófica que se impõe com a filosofia de Nietzsche, em sua declaração da morte de Deus. Se a nietzschiana morte de Deus resulta no que Heidegger chamou de fim da metafísica, os desdobramentos dessas ideias, quando visíveis na literatura do século XX, em obras como a de Pessoa, podem nos apontar a literatura modernista como uma arte que se edifica no desespero humano frente à vacuidade de Deus? Se essa literatura se alimenta liricamente da angústia e manifesta a sua coragem na medida em que se assume desesperada, como repensar a relação entre religião e arte? Estas são algumas questões que dão prosseguimento a inquietações de pesquisa resultantes da minha dissertação de mestrado acerca da estética pessoana sob a análise religiosa da arte feita por Tillich.
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