PASTORALIDADE CÚMPLICE OU PROFÉTICA?

MULHERES, ABUSO SEXUAL E PODER PATRIARCAL EM COMUNIDADES EVANGÉLICAS BRASILEIRAS

Autores

  • Janaína Brito de Assis Freitas

Palavras-chave:

Pastoralidade, Mulheres, Abuso sexual, Teologismo patriarcal, Teologia feminista da recusa.

Resumo

Este trabalho é fundamentado em pesquisa que investiga a legitimação religiosa do abuso sexual em discursos pastorais, propondo uma análise crítica das concepções sociológicas de gênero e dos exercícios de poder que permeiam a pastoralidade em igrejas evangélicas brasileiras. O objetivo é analisar como tais discursos contribuem para a perpetuação da violência sexual e propor alternativas teológico-pastorais que promovam justiça para meninas e mulheres. A pesquisa, de abordagem qualitativa, baseia-se na análise das trajetórias e memórias de mulheres evangélicas que vivenciaram abuso sexual na juventude por parte de pastores. Evidencia-se como o teologismo patriarcal, entendido como a teologização da desigualdade de gênero e da submissão feminina, contribui para o silenciamento das mulheres sobreviventes e para a perpetuação da violência, tornando a instituição cúmplice de um ciclo contínuo de sofrimento. O estudo demonstra a urgência de uma pastoralidade crítica e informada, capaz de desconstruir discursos que endossam o controle sobre o corpo e a subjetividade feminina. Aborda-se a naturalização da agressão
sexual pela autoridade do autor da violência e a instrumentalização da religião para justificar os abusos. A análise, que se alinha aos eixos Terra, Pão e Paz — ao discutir a exploração dos corpos (Terra), as relações de poder desiguais (Pão) e a necessidade de desmantelar estruturas de violência para alcançar a plenitude da vida (Paz) —, convoca à reflexão sobre os fundamentos de uma prática pastoral que promova a justiça de gênero e o verdadeiro Evangelho da Paz. Conclui-se que o enfrentamento do teologismo patriarcal e o desenvolvimento de uma Teologia Feminista da Recusa constituem caminhos essenciais para a construção de espaços eclesiais seguros e inclusivos, onde a voz das mulheres violentadas seja ouvida e a dignidade humana esteja no centro da prática pastoral. 

Biografia do Autor

Janaína Brito de Assis Freitas

Doutoranda em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo, com bolsa de fomento da CAPES, onde também concluiu o mestrado e a graduação em Teologia. Atua na linha de pesquisa “Religião e Dinâmicas Socioculturais”, com ênfase em Teologia Pastoral e Social. Dedica-se ao estudo das violências contra meninas e mulheres em contextos religiosos, articulando espiritualidade, gênero, hermenêutica feminista e decolonialidade. É autora dos conceitos "Teologismo Patriarcal", que nomeia estruturas teológicas de dominação, e "Teologia Feminista da Recusa", que se constrói como uma epistemologia do testemunho e expressa as respostas espirituais e éticas protagonizadas por mulheres. Sua reflexão afirma as mulheres como sujeitos teológicos e propõe uma espiritualidade crítica, emancipatória e encarnada, capaz de ressignificar o sagrado a partir das experiências de fé vividas por mulheres evangélicas e protestantes. É integrante do grupo de estudos de Gênero e Religião Mandrágora e membro da Rede Brasileira de Teólogas.

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Publicado

2025-12-18