IDENTIDADES DAS MULHERES SOB O JUGO DA FÉ E DO DIREITO

A INFLUÊNCIA JUDAICO-CRISTÃ PATRIARCAL NA MATERNAGEM SOLO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO

Autores

  • Geovana Maciel da Fonseca
  • Alana Taíse Castro Sartori
  • Noli Bernardo Hahn

Palavras-chave:

Maternagem, Judaico-cristianismo, Mãe solo, Sociojurídico.

Resumo

A religião é capaz de modelar indivíduos, ditar comportamentos e influenciar ditames a serem seguidos, a depender da época e do momento histórico. Nesse contexto, percebe-se como a sociedade brasileira contemporânea carrega profundas marcas da tradição patriarcal judaico-cristã. Tais elementos ou marcas formaram – e continuam a formar – o papel da mulher-mãe, sobretudo em contextos de maternagem solo. Evidente que diferentes textos bíblicos são utilizados para justificar opressões e perpetuar um viés normativo que subjuga as mulheres, mantendo-as em uma posição de inferioridade com relação aos homens, sendo a maternidade posta enquanto uma missão sagrada da vida das mulheres. Tal construção, já internalizada historicamente e juridicamente no contexto brasileiro, perpetua o fenômeno da maternagem solo, aquelas famílias formadas pela relação de mães e sua prole, caracterizadas pela ausência de um vínculo conjugal. Dessa forma, o estudo busca analisar como a tradição judaico-cristã patriarcal acaba a influenciar a realidade de mães que criam seus filhos sozinhas. Para isso, apresenta-se a seguinte problemática: como a tradição judaico-cristã patriarcal influencia a percepção e o tratamento social e jurídico das mães solo no Brasil contemporâneo? Nesse viés, a pergunta foco é respondida utilizando se abordagem epistêmica que mescla análise e interpretação e a técnica de pesquisa bibliográfica. Assim, é possível evidenciar como as mulheres que criam seus filhos sozinhas necessitam abdicar de uma vida social, de trabalho e de estudos, perpetuando sacrifícios que são vistos enquanto uma condição comum da mulher. Essas exigências encontram respaldo em uma construção religiosa profundamente enraizada na visão judaico-cristã patriarcal, a qual idealiza a maternidade enquanto um símbolo de abnegação. A maternidade, nessas realidades, deixa de ser uma opção e passa a ser uma obrigação moral e solitária de inúmeras mulheres-mães.

Biografia do Autor

Geovana Maciel da Fonseca

Mestranda em Direito pelo Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Direito – Mestrado e Doutorado da URI, campus de Santo Ângelo/RS. Advogada.

Alana Taíse Castro Sartori

Doutoranda e mestra em Direito pelo Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Direito – Mestrado e Doutorado da URI, campus de Santo Ângelo/RS. Bolsista PROSUC/CAPES, modalidade II (Taxa). Docente do curso de graduação em direito da URI/SLG.

Noli Bernardo Hahn

Pós-doutor pelas Faculdades EST. Doutor em Ciências da Religião, pela Universidade Metodista de São Paulo – UMESP. Docente permanente do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Direito – Mestrado e Doutorado – da URI, Campus de Santo Ângelo.

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Publicado

2025-12-18