IDENTIDADES DAS MULHERES SOB O JUGO DA FÉ E DO DIREITO
A INFLUÊNCIA JUDAICO-CRISTÃ PATRIARCAL NA MATERNAGEM SOLO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO
Palavras-chave:
Maternagem, Judaico-cristianismo, Mãe solo, Sociojurídico.Resumo
A religião é capaz de modelar indivíduos, ditar comportamentos e influenciar ditames a serem seguidos, a depender da época e do momento histórico. Nesse contexto, percebe-se como a sociedade brasileira contemporânea carrega profundas marcas da tradição patriarcal judaico-cristã. Tais elementos ou marcas formaram – e continuam a formar – o papel da mulher-mãe, sobretudo em contextos de maternagem solo. Evidente que diferentes textos bíblicos são utilizados para justificar opressões e perpetuar um viés normativo que subjuga as mulheres, mantendo-as em uma posição de inferioridade com relação aos homens, sendo a maternidade posta enquanto uma missão sagrada da vida das mulheres. Tal construção, já internalizada historicamente e juridicamente no contexto brasileiro, perpetua o fenômeno da maternagem solo, aquelas famílias formadas pela relação de mães e sua prole, caracterizadas pela ausência de um vínculo conjugal. Dessa forma, o estudo busca analisar como a tradição judaico-cristã patriarcal acaba a influenciar a realidade de mães que criam seus filhos sozinhas. Para isso, apresenta-se a seguinte problemática: como a tradição judaico-cristã patriarcal influencia a percepção e o tratamento social e jurídico das mães solo no Brasil contemporâneo? Nesse viés, a pergunta foco é respondida utilizando se abordagem epistêmica que mescla análise e interpretação e a técnica de pesquisa bibliográfica. Assim, é possível evidenciar como as mulheres que criam seus filhos sozinhas necessitam abdicar de uma vida social, de trabalho e de estudos, perpetuando sacrifícios que são vistos enquanto uma condição comum da mulher. Essas exigências encontram respaldo em uma construção religiosa profundamente enraizada na visão judaico-cristã patriarcal, a qual idealiza a maternidade enquanto um símbolo de abnegação. A maternidade, nessas realidades, deixa de ser uma opção e passa a ser uma obrigação moral e solitária de inúmeras mulheres-mães.