UMA LEITURA DO CURTA-METRAGEM “PRETO NO BRANCO” A PARTIR DA PERSPECTIVA DA INJUSTIÇA RACIAL
Palavras-chave:
Filme, Curta-metragem, Direitos Humanos, Negritude, Racismo.Resumo
O curta-metragem “Preto no Branco”, dirigido pelo cineasta brasileiro Valter Rege em 2017, foi realizado por meio do edital “Curta Afirmativo para Jovens Produtores Negros”. Com duração de 15 minutos e 13 segundos, o filme narra a história de Roberto Carlos (interpretado por Marcos Oliveira), um jovem negro que, ao correr para pegar o ônibus, é abordado por policiais, algemado e levado à delegacia. A acusação parte de Isabella (interpretada por Maria Bobb), uma jovem branca que o acusa de ter roubado sua bolsa, crime que ele nega veementemente ter cometido. A firmeza da acusação de Isabella e a força da alegação de inocência de Roberto Carlos colocam a delegada Patrícia em uma posição de hesitação, sem emitir qualquer parecer conclusivo. Instala-se, então, o impasse: Roberto afirma sua inocência, enquanto Isabella o responsabiliza. Este ensaio teórico tem como objetivo realizar uma análise crítica da branquitude e das relações raciais no Brasil, utilizando o curta como ponto de partida para discutir as dinâmicas do racismo estrutural que atravessa o cotidiano da população negra. Metodologicamente, adota-se uma abordagem dialético crítica, de viés qualitativo, fundamentada em revisão bibliográfica. A análise do curta metragem “Preto no Branco” permite evidenciar como o racismo estrutural se manifesta nas relações cotidianas, revelando os mecanismos sutis e profundos que sustentam a branquitude como lugar de privilégio e poder. Ao propor uma leitura crítica dessas dinâmicas, o ensaio contribui para o debate sobre justiça racial e a urgência de políticas e práticas que amenizem a desigualdade racial no Brasil.