RETRATOS DA VIOLÊNCIA POLÍTICA CONTRA AS MULHERES NO BRASIL
Palavras-chave:
Violência Política, Gênero, Mulheres, Patriarcado, Estudos DecoloniaisResumo
O presente trabalho analisa a violência política de gênero no Brasil como um fenômeno estruturante, intensificado nos últimos anos por um contexto político e cultural de avanço do neofascismo. A violência política contra as mulheres, embora não seja recente, passou a ser conceituada e tipificada juridicamente apenas na última década, com marcos como as Leis nº 14.192/2021 e 14.197/2021. O estudo traça um panorama de casos emblemáticos, como o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o assassinato da vereadora Marielle Franco, os ataques sofridos por Manuela D’Ávila e a recente violência simbólica contra a ministra Marina Silva. Essas ocorrências evidenciam um padrão de agressão física, psicológica, simbólica e institucional com o objetivo de silenciar e banir as mulheres dos espaços de poder. A análise se ancora na intersecção entre patriarcado, racismo estrutural e a ascensão de uma cultura fascista que legitima o uso da violência como ferramenta de controle político e social. Utilizando aportes teóricos como Manuela D’Ávila, Marcia Tiburi, Vladimir Safatle, Estudos Decoloniais, entre outros, o trabalho aponta para a construção histórica da mulher como sujeito inferior e não legítimo no espaço público. A violência política é apresentada como dispositivo de deslegitimação da presença feminina e racializada na política institucional, sustentada por uma estrutura afetiva de silenciamento, medo e exclusão. Metodologia utilizada foi análise crítica e revisão de literatura a partir da
filosofia de Foucault, Safatle, Dávila e a perspectiva decolonial. A investigação mostra como os discursos fascistas se articulam com práticas misóginas e racistas, perpetuando uma lógica de extermínio simbólico e real. Por fim, destaca-se a importância das estratégias de resistência, como a fala, a denúncia pública e o reconhecimento da existência política das mulheres como forma de enfrentamento à cultura do silenciamento.